Células estaminais revertem EM em novo estudo pioneiro

Um ensaio clínico de pequena dimensão demonstrou que quando doentes com esclerose múltipla receberam um transplante de células estaminais juntamente com o respetivo tratamento de quimioterapia, a maioria revelou melhorias na sua qualidade de vida.

Este novo estudo encorajador foi publicado este mês, tendo sido realizado junto de 110 doentes com EM em remissão-relapso durante um período de 11 anos. O estudo comparou dois grupos: um recebeu a terapêutica padrão de modificação da doença (DMT), o outro recebeu um transplante hematopoiético de células estaminais (HSCT), juntamente com quimioterapia.

Após avaliações aos 12 meses e aos 5 anos, os investigadores concluíram que 34 doentes do grupo DMT revelaram progressão da doença, comparados com apenas 3 no grupo HSCT. No primeiro ano, a classificação média da EDSS (Escala Expandida do Estado de Incapacidade melhorou igualmente no grupo HSCT, tendo piorado no grupo DMT.

Um dos participantes no estudo, Amanda Loy, com 28 anos de idade, tomou parte no ensaio, tendo recebido o transplante de células estaminais:

Parece tão radical, mas [o tratamento] devolveu-me a vida... Na verdade, não esperava todas estas melhoras. Quando aderi ao estudo, pensei 'Se pelo menos a partir de agora não piorar, já é bom.' Por isso todas as melhoras foram totalmente inesperadas, mas uma surpresa agradável, ainda assim.

Antes do transplante, a Amanda encontrava-se gravemente afetada pela sua esclerose múltipla. Não era capaz de trabalhar a tempo inteiro, tinha problemas na bexiga e precisava de uma bengala para caminhar. Contudo, em apenas um ano após o transplante usando as células estaminais do seu próprio sangue, apercebeu-se de melhoras notáveis. Desapareceram os sintomas de incontinência, fadiga, dormência dos membros, intolerância ao calor ou dor neuropática.

Passados 11 anos, a EM da Amanda melhorou de tal forma que ela regressou ao trabalho como professora a tempo inteiro nos EUA. É até capaz de praticar desporto e não necessita de medicação para a EM.
É a melhor prova em termos de comparação dos transplantes de células estaminais com a terapêutica padrão ... trata-se de uma das melhores provas em como, efetivamente, os doentes com uma forma agressiva de EM apresentam melhores resultados após um transplante do que com a terapêutica padrão.

- Harry Atkins, médico de transplantes com células estaminais, Hospital de Otava

Não restam dúvidas; os resultados deste ensaio clínico preliminar são espantosos. Contudo, o estudo tem as suas limitações, uma vez que só apresenta benefícios para doentes com EM em remissão-relapso, menos convencional. Serão necessários ensaios clínicos adicionais, e a continuação da investigação, para que os transplantes para tratamento da esclerose múltipla com células estaminais fiquem disponíveis de forma mais alargada.

Referências:
https://jamanetwork.com/
https://www.vox.com/