Terapia de células estaminais personalizada para lesões na espinal medula

Os ensaios clínicos de fase I/II permitiram investigar os benefícios da terapia com células estaminais para a paraplegia crónica (lesão na espinal medula), utilizando fármacos fabricados com as células estaminais dos próprios doentes.

Os ensaios foram realizados no Hospital de Puerta de Hierro, em Madrid, em 12 doentes, utilizando o novo fármaco NC1 criado pelo Dr. Jesús Vallejo. Foram administradas doses de NC1 aos doentes – feitas a partir de células mesenquimais estromais autólogas (MSCs) e plasma autólogo. O objetivo era disponibilizar a cada doente uma forma de terapia personalizada usando as suas próprias células estaminais, através da avaliação das características da lesão na espinal medula por meio de RM. A RM permitiu determinar a quantidade de NC1 que cada doente precisava.

Antes do transplante de NC1, foi colhida uma amostra de sangue periférico de cada doente para excluir a possibilidade de anomalias cromossómicas que pudessem interferir com a expansão das células estaminais. De seguida, eram extraídas MSCs dos doentes, colocadas em meio de cultura, misturadas com plasma sanguíneo e, por fim, injetadas na espinal medula. Três meses depois foram administradas doses adicionais de MSCs, sendo os resultados avaliados 3, 6, 9 e 12 meses após a cirurgia.

Um dos participantes no ensaio clínico era o David Serrano, que sofreu uma lesão na espinal medula há 17 anos atrás que o deixou numa cadeira de rodas. Após ter participado na primeira fase do tratamento, o David começou a sentir melhorias no fluxo sanguíneo e sensibilidade das suas pernas. 12 meses depois, consegue andar e até andar de bicicleta.

O caso do David foi excecional, contudo, todos os outros 12 doentes sentiram melhorias na sensibilidade global. Os resultados revelaram que mais de 50 % dos doentes apresentavam uma maior atividade motora, uma diminuição dos espasmos e uma melhoria da função sexual. Os investigadores também concluíram que estes resultados parecem depender da dosagem de células estaminais, e não foram influenciados pela gravidade da lesão na espinal medula.

Desde a conclusão de sucesso deste ensaio clínico, o Hospital Puerta de Hierro anunciou a aprovação do fármaco NC1 pela Spanish Agency of Medicines. É aconselhável que, para receber o tratamento, tenha uma idade compreendida entre os 18-65 anos, uma lesão crónica na espinal medula e ausência de alterações cromossómicas.

Juan Carvajal, um doente com paraplegia, tem algumas palavras encorajadoras para aqueles que estão a pensar experimentar a terapia:

Eu diria a estes doentes para não duvidarem da terapia, para não pensarem nisso, nem adiarem a vossa decisão. O tratamento é feito com as vossas próprias células, por isso, não há qualquer rejeição e o resultado é imediato; visa a melhoria, a melhoria é física. Estamos em boas mãos, tanto em termos mentais como morais

– Juan Carvajal, Doente SCI

Referências bibliográficas:
www.sciencedirect.com/