Um novo laboratório operacional na Suíça

A Future Health Biobank (FHBB) inaugurou em Châtel-St-Denis o seu novo laboratório certificado pela Swuissmedic (Agência Suíça para os produtos terapêuticos). O nosso Banco Privado de criopreservação de células estaminais processa e armazena amostras de sangue e tecido do cordão umbilical de recém-nascidos para uso autólogo e alogénico. Assim, tal como os bancos públicos, as células usadas poderão ser utilizadas pelo dador, mas também, e isto é algo de novo, por um membro da família ou de terceiros desde que os pais, os proprietários das células, o aceitem.   É uma premissa Suíça que confere à FHBB um estatuto hibrido entre um banco privado e um banco público. Lei o artigo na íntegra aqui.

O Biobanco está operacionalVevesye * A Future Health Biobank pode agora manter as células estaminais no seu laboratório de Châtel-St-Denis. O processamento e armazenamento de células estaminais do sangue e tecido do cordão umbilical por 25 anos em nitrogênio, com os custos administrativos incluídos, custa 3.275 euros.

“Está operacional, finalmente!”, diz George Macridis sorrindo, cofundador da Future Health Biobank. Quase dois anos depois da sua chegada à Châtel-Saint-Denis, o banco privado de células estaminais vai poder processar e armazenar no laboratório as amostras de sangue ou tecido do cordão umbilical dos recém-nascidos. A Swissmedic (agência Suíça para os produtos terapêuticos) terminou a sua inspeção e atribuiu uma autorização no dia 26 de Junho e o Gabinete Federal da Saúde Pública (OFSP) confirma que está prestes a formalizar essa autorização.

Fundado em 2002 em Nottingham (Reino Unido) e já a funcionar em cerca de 50 países – principalmente na Europa – o laboratório já disponibilizava os seus serviços na Suíça desde de 2006, primeiro em Genebra, e mais tarde em Lausanne. Em 6 anos, mais de 1100 pais helvéticos (dos quais mais de um terço este ano) confiaram ao laboratório da Future Health em Notthigham o tesouro que um dia poderá, servir para o tratamento médico do seu filho/a. Doravante, 3 tanques de criopreservação com capacidade total para 24000 amostras, na zona de Pra de Plan (em Châtel-Saint-Denis), permitirão guardar este “recurso”. “Isto tranquiliza os pais”, refere Maya van Look.

Potenciais Clientes Responsável de vendas e do serviço de clientes da Future Health Biobank, a jovem mulher é otimista: cerca de 80 000 bebés nascem todos os anos na Suíça, portanto, há 80 000 potenciais clientes. No entanto, armazenar as células num banco privado tem um preço, que é custeado pelos pais. O processamento e armazenamento de células estaminais do sangue e tecido do cordão umbilical por 25 anos em nitrogênio, com os custos administrativos incluídos, custa 3.275 euros.

Uma despesa significativa, portanto, na base da incerteza. Diversas referências médicas, como o L’European Group for Blood and Marrow Transplantation (EBMT) ou L’Agence de la biomédecine française, criticam com efeito os bancos privados. Por duas razões.

Em primeiro lugar porque em geral, os bancos armazenam as células do dador para seu uso pessoal no futuro – falamos assim da utilização autóloga. Isto, choca com o sistema de solidariedade que prevalece nos bancos públicos de células (há um em Bâle e um em Genebra) e que pretende que os recursos beneficiem a comunidade.

Por outro lado, porque as células do sangue são raramente utilizadas para tratar o próprio dador (ver abaixo). É uma questão de tempo, assegura George Macridis: “os dadores são ainda jovens! Mas as células do cordão são equivalentes às células que hoje se utilizam de maneira autóloga, e que são obtidas através da médula óssea ou do sangue periférico”.

Um Estatuto Hibrido Apesar das críticas, a Future Health permanece otimista. Porquê? “ Foi um longo processo de validação, mas nós temos autorização para utilizar as células para fins alogénicos e para os outros. É uma novidade na Suíça (informação confirmada pela OFSP), o que nos dá um estatuto híbrido, a meio caminho entre um banco privado e um banco público", afirma George Macridis.

“Vamos poder publicar os dados que permitirão à comunidade saber se as células armazenadas connosco satisfazem as necessidades de um paciente em tratamento. Isto desde que os pais, proprietários das células, aceitem esta publicação anónima e deem o consentimento para a doação ", explica. Solidariedade é possível, então.

O cofundador da Future Health pode, portanto, usar os mesmos argumentos que os bancos públicos. A recolha da amostra é segura e indolor para a mãe e para o recém-nascido. As utilizações - EBMT publica a lista - são numerosas, para o tratamento de doenças linfo proliferativas e leucemia, entre outros. A amostra será provavelmente útil: "Uma pessoa ao longo da sua vida, tem uma probabilidade em 200 de receber células estaminais um dia. E bastará apenas uma descoberta para aumentar essa probabilidade", diz George Macridis. "Por exemplo, os investigadores estão a trabalhar numa aplicação após enfarte. Se for bem-sucedida, esta probabilidade será de 1 em 7".

A questão é se os pais estão dispostos a fazer uma despesa significativa que é mais provável para beneficiar apenas o seu terceiro filho. Mais uma vez, o Banco tem um argumento: uma amostra pode ser útil a um irmão. Isto aconteceu no nosso Banco, em junho de 2012. Um menino de 17 anos que sofre de anemia de Fanconi. O transplante de células do sangue do cordão umbilical de sua irmã mais nova, que nós armazenamos desde 2010, foi bem sucedido."

Mais cinco postos de trabalho A Future Health Biobank já investiu 1,5 milhões para dotar seu laboratório de salas limpas e dos equipamentos necessários, sem contar com o custo de transferência de tecnologia a partir do laboratório de Nottingham. A empresa emprega uma centena de funcionários no mundo todo, incluindo 15 em Veveyse. "Em breve vinte”, diz George Macridis, cofundador que se mudou para a Suíça para apoiar o desenvolvimento do laboratório. O número de técnicos, incluído neste número aumentará de 8 para 12.

Informático e especialista de sistemas, o britânico estima que o volume de negócios total da empresa (15 milhões de francos, até à data) deverá aumentar "vários milhões" por meio do novo laboratório. Este laboratório não armazenará apenas as amostras recolhidas na Suíça: também irá receber as amostras provenientes da Alemanha, Itália, Grécia, Portugal e Espanha.

O laboratório tem potencial para armazenar cerca de 200 mil amostras.   *****   Em números… > O European Group for blood and marrow transplantation ( EBMT ) registou até abril de 2013 transplantes de células estaminais do sangue realizados em 651 centros de 48 países, incluindo 39 da UE - Suíça incluída. De acordo com este estudo:   > 21.111 Transplantes destinam -se ao doador (autólogo). Não, eles não incluíram as células do sangue do cordão – mas a EBMT registou 3 em 2010.   > 14.549 Transplantes foram realizados para um destinatário diferente do doador (alogénico). Em 72 % dos casos, as células utilizadas foram de sangue periférico. Em 22 %, foram retiradas a partir da medula óssea e do cordão umbilical 6%. Em 2007, essa taxa foi de 2,3%.   > Desde 2006, com o início de sua extensa atividade, a Future Health Biobank já armazenou cerca de 80 mil amostras de células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical. Uma delas foi usada. "Os nossos doadores mais velhos têm apenas seis anos!" Justifica Georges Macridis.   > Entre 2005 e 2009, houve mais de 211 casos de tratamentos autólogos com células do sangue do cordão umbilical armazenado em bancos privados, de acordo com um estudo internacional da Fundação Americana Parent’s Guide to Cord Blood.